Luís Telles de Abreu

80 anos

“A plenitude da minha vida profissional – advogado, só advogado e nada mais do que advogado – devo-a ao nosso escritório e à nossa sociedade.“

Luís Telles de Abreu

1940-2016

A nossa homenagem

No momento em que a TELLES dá inicio, por ocasião da data em que o Luís Telles de Abreu perfaria 80 anos, a um ano especial de homenagem e de memória, deixo aqui expresso um forte agradecimento pessoal e o reconhecimento institucional pela forma como permitiu e incentivou que, com base no seu nome e no escritório que havia herdado do Senhor Dr. Artur Santos Silva, seu sogro, e que ele ajudou a construir e muito desenvolveu, tivéssemos podido, em conjunto, iniciar, consolidar e afirmar o projeto magnífico que é o da nossa firma.

A TELLES é o que é – e hoje é muito! – sobretudo porque se fez e faz com base em valores que eram os seus: humanidade, generosidade, integridade, proximidade, lealdade, educação, respeito, sigilo, tolerância e espírito de conciliação.

A expressão dos meus sentimentos pessoais, da falta que o Luís me faz e das saudades em que me deixou será realizada noutros locais e oportunidades, durante o ano que se iniciou em 4 de junho, data em que, oficialmente, todos na TELLES demos inicio a esta homenagem que se impõe à razão e ao coração.

Mesmo assim, permito-me deixar aqui um excerto do poema “Amigos” de Vinicius de Morais, que reflete bem o que sentia e sinto quando penso no Luís: “E, às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construi e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado”.

É assim, torto para um lado, que aqui repito os agradecimentos que, ao longo da vida, ao Luís fui transmitindo. Muito obrigado, querido Luís!

Que enorme gosto teria o meu Pai…

Que enorme gosto teria o meu Pai em completar 80 anos e em festejar, como tão bem e sempre gostava de fazer. Festejava a Vida, festejava a Família, festejava os Amigos, festejava tudo.

Todos os dias agradecia a vida que tinha e que tão bem soube aproveitar.

O meu PAI adorava escrever… cartas, textos, agradecimentos, pensamentos…sobre a sua vida pessoal e sobre a sua vida profissional.

À minha Mãe, dizia que lhe devia tudo o que é …“Não é muito o que sou, mas vivo satisfeito, satisfeitíssimo com o que sou.”

Referindo-se à Amizade, afirmava “Estou feliz e orgulhoso pelos amigos que tenho. Considero – sempre considerei – muito a amizade.”

Em relação à advocacia dizia e repetia ter “atingido a plenitude da vida profissional como advogado, só advogado e nada mais do que advogado!”

Defendia os valores e os princípios essenciais e imperiosos do exercício desta nobre profissão à qual se dedicou 50 anos, sempre com uma vontade inabalável de continuar a trabalhar no âmbito das possibilidades e das competências ao seu alcance.

A alegria com que ia todos os dias para o escritório, a forma como lidava com todos aqueles que com ele colaboravam e a dedicação aos clientes e aos assuntos que lhe eram confiados, revelam bem a satisfação e a vontade que tinha pela advocacia.

No plano pessoal, conseguiu atingir a plenitude e a felicidade.Viveu uma vida plena e feliz e dizia sempre “A Vida e o Destino têm-me tratado bem.”

O destino traiu-o… mas, para sempre, ficam as ótimas recordações que nos deixou e os valores e princípios que conseguiu transmitir-nos e que jamais esqueceremos.

Que enorme gosto teria tido hoje…
Porto, 10 de Junho de 2020

Querido Luís,

SAUDADES … que é uma palavra tão nossa …
Saudades do seu sorriso logo de manhã, quando chegava e nos vinha dizer bom dia,
Saudades dos seus ensinamentos e mestria,
Saudades dos seus conselhos e dicas, antes de cada viagem para férias,
Saudades dos nossos almoços tão bons,
Saudades das nossas longas conversas e risadas,
Saudades do seu imenso carinho.
Ainda hoje recordo como entrei na sua sala, no meu primeiro dia, a medo … e logo percebi que era um sítio onde sempre me sentiria bem, em casa, onde me ensinaria tanta coisa, onde me mostraria as suas recordações, todas meticulosamente organizadas nos seus dossiers e nas suas memórias.
Guardo, com carinho, todas as cartas que me escreveu, sempre nos momentos importantes da minha vida.
Guardo, com carinho, todas as recordações e as coisas boas que tive a honra de partilhar consigo.
Guardo, com carinho, todos os conselhos, ensinamentos e toda a amizade.
Obrigada por tudo!
Um abraço amigo.

A última imagem que guardo do Luís era de um Homem extremamente afável apesar de algo inconformado com a sua situação hospitalar. Com a elegância que sempre teve e com um sorriso um tanto forçado declinou a minha ajuda para tomar o chá e agradeceu os livros que lhe levei.

Era uma tarde no Porto com um sol que nos abraça no Douro refulgente e saí do hospital com a certeza de que me despedia dele. Que tristeza e sensação de perda.

Aí recordei que há para trinta anos nos recebeu algumas vezes para tentar uma fusão dos escritórios nunca concretizada.

A forma e a substância conjugavam-se com uma sabedoria que nos cativava.

Ficou a saudade da razão que nos aproximara e que sempre lembrávamos no Verão quando nos encontrávamos no areal algarvio.

Parecia saído de um dos livros da Agustina.

Sólido jurista, advogado astuto e conciliador, homem culto, ser humano riquíssimo com uma mundivivência que conciliava a centralidade do Porto com muito transito internacional.

Sempre cativante e com indesmentível personalidade, humor fino e ar aristocrático.

Fiquei sempre devedor dos inúmeros convites para almoçar no escritório do Porto, que nunca consegui concretizar, e ele sempre me(nos) prestigiou nos eventos da SRS. Que falha!

O mundo fica mais pobre quando se perde gente tão bonita como o Luís.

Eu percebi o quanto de essencial acabo por prescindir no afã de um quotidiano acelerado – essa mais uma lição que me deixou. Vou tentar recuperar no que me falta nesta passagem terrena – senão no nosso reencontro no além.

O Luís faria hoje 80 anos. Tendo partido de entre nós há quase 4 anos, deixou em todos os que tivemos a honra e o privilégio de o conhecer e de com ele conviver, a par de uma enorme saudade, um inestimável legado, que representamos com orgulho, enquanto escritório e portadores da marca Telles que ostentamos.

Como representantes do legado do Luís, somos orgulhosos veículos dos valores que personificou e que nos preocupamos em transmitir às gerações seguintes, como uma cultura e mística de cunho vincado, a nossa forma de estar – o ADN Telles – que se revela e traduz nas mais diversas formas: na amizade e proximidade, entre todos os que fazemos ou fizeram parte da família Telles, com os nossos clientes e parceiros, com os quais nos orgulhamos de trabalhar e cujos objetivos, metas, desafios, dificuldades e dores nos esforçamos, todos os dias, como equipa, para alcançar ou superar, num vínculo que transcende, em muito, a simples relação profissional; na lealdade, na confiança e no sigilo com que nos dedicamos aos interesses, projetos, desafios e preocupações dos nossos clientes, que abraçamos como nossos, com paixão e sentido de causa, mas igualmente com a descrição, a objetividade e a autonomia que nos permite uma assessoria verdadeiramente independente, íntegra e de valor acrescentado; no rigor, qualidade e sentido crítico, associando o profundo conhecimento da lei e do direito e um vasto know-how acumulado de anos de advocacia, às melhores práticas e à inovação de um mercado e de uma sociedade em constante evolução, numa combinação de tradição, experiência, juventude e criatividade, como suporte para um compromisso incessante com a excelência; na simplicidade de uma advocacia despretensiosa, franca e séria, mas sem se levar demasiado a sério, com espaço para a informalidade, boa disposição e humor.

Estes são alguns dos valores que me foram e continuam a ser diariamente transmitidos desde que tive o privilégio de integrar a Telles em agosto de 2009 e que são o espelho de uma advocacia que nunca se basta apenas no serviço ao cliente, mas que encerra uma dimensão humana, que marca o cunho e selo do Luís e que simboliza aquilo que nos distingue enquanto escritório.

Embora seja quase impossível desassociar o Luís “advogado” do Luís “homem”, o impacto e a marca do Luís estendem-se muito para além do escritório que fundou e ao qual deu o seu nome e qualquer testemunho ficaria órfão e pecaria por escasso sem mencionar o lado pessoal do Luís, do homem incontornável, que nos seus atos, gestos, palavras e olhar emanava uma contagiante alegria de viver. Relembro com saudade as nossas conversas, o interesse genuíno com que queria saber de mim, em particular durante a minha passagem pelo Porto, e as palavras acolhedoras e os conselhos preciosos que sempre encontrava forma e tempo de me dar, acompanhadas de uma pitada de humor acutilante tão característico (e não poucas vezes desarmante!), que tornavam os momentos com o Luís tão especiais e que – entre almoços recheados das suas inúmeras e divertidas histórias e das lendárias festas e eventos Telles, nos quais a sua inesgotável energia e boa disposição davam o mote para momentos inesquecíveis, cuja memória perdura e que se tornaram já numa imagem de marca Telles – contribuíram para acrescer ao enorme respeito e admiração pelo Luís advogado, uma imensa estima e amizade pelo Luís homem.

Para a vida levo, assim, com orgulho e sentido de responsabilidade, esta herança de valores e ensinamentos que o Luís nos deixou, na sua dupla condição, de advogado de excelência, carismático, íntegro e exigente, que nunca prescindia da qualidade, da profundidade, do rigor, do detalhe e do mais estrito respeito pelos princípios e regras que norteiam a nossa profissão, e de homem apaixonado pela vida, caloroso e afável, amigo incondicional, que nos contagiava com a sua alegria, energia, humor e boa disposição, ensinamentos e valores que me fizeram e continuam a fazer crescer e me inspiram para dar o melhor de mim como advogado, mas sobretudo como pessoa.

Obrigado Luís, com um abraço de saudade,

Escrevo no dia em que se celebra Portugal e também o dia dos anos do Luís.

Quando olho para trás, curiosamente, acho que toda a minha vida me lembro do Luís. Mesmo ainda antes de o conhecer pessoalmente!

O Luís era advogado da empresa do meu Pai, que sendo pessoa de parcas palavras, não poupava nos adjectivos elogiosos com que se referia à excelência do seu trabalho.

Anos mais tarde, vim a conhecer o Luís. Em circunstâncias muito adversas que a vida me proporcionou, a mim e à Fundação, o Luís foi sempre o nosso advogado, podendo então constatar como era dono duma verve brilhante, certeira e acutilante, de uma percepção rara do indizível, de um raciocínio tão veloz que dificilmente se acompanhava, porque era capaz de ter uma visão perspicaz e abrangente do assunto em análise, de uma capacidade de verbalização perfeita e de uma argumentação imbatível! Não lhe escapava um detalhe, por muito pequeno que fosse, ainda que a todos passasse despercebido! E se a inteligência era brilhante, a capacidade de verbalização acompanhava a escrita - esta também, perfeita, escorreita e ímpar.

O Luís gostava e era capaz de surpreender. Uma vez, era eu já casada, o Luís e a Beluca vieram jantar a nossa casa. O Luís vinha todo contente, com uma prenda na mão: era um processo que tinha arquivado, relativo à empresa do meu Pai. Tinham passado mais de trinta anos! Meticulosamente organizado, guardado durante tantos anos! Lembro-me bem das suas palavras: “É para veres como o teu Pai tinha uma letra bonita.” E eu, estupefacta e muda folheava as páginas, mas confesso que, para além da alegria de voltar a ver a letra do meu Pai, senti surpresa e admiração por ter um amigo sensível, senhor de um lado humano, tocante, que gostava de me surpreender e de me fazer feliz.

Quis a vida que durante vários anos, o meu marido e eu passássemos alguns dias de férias, bem gozadas, com a Beluca e o Luís. O Luís era um imparável e inigualável contador de histórias que adorava estar intermináveis horas a relembrar episódios hilariantes da sua vida. Recordo, divertida, que, melhor do que ouvi-lo, ao despique com o Miguel Veiga, desfiar memórias das suas viagens e de outras vivências e peripécias (cómicas e marotas), melhor do que tudo, era observar a mímica perfeita com que fazia a caracterização das personagens e situações da história. Impecável! Acho que o Luís poderia ter sido um actor exímio, tivesse ele escolhido esta profissão.

Mas não. O Luís era “o “ advogado - poderoso no uso da palavra, inatacável no argumento, perfeito na colocação da voz e na expressão que afivelava adequadamente a cada circunstância, em cada caso. Temível!

O Luís tinha, assim, muitas particularidades e talentos, às vezes aparentemente improváveis e contraditórios, que faziam dele uma pessoa muito especial – nada linear, muito complexa, muito meticuloso, muito organizado, muitíssimo observador…e muitíssimo alegre. Para ele, a vida era para ser vivida por inteiro e com alegria. E a juntar a estes talentos…o olhar que tão depressa era maroto, ao contar uma história, como se transformava em arma terrível e fulminante!

Escrever sobre o Luís é redutor, porque nunca me chegariam as palavras para elencar os seus talentos e qualidades, quer como profissional, quer como amigo.

O Luís construiu uma ilustre carreira, um renomado escritório, uma família unida…e uma legião de amigos, que jamais o esquecerão e nos quais tenho o privilegio de me incluir.

O nosso querido Luís celebraria, no próximo dia 10 de junho, 80 anos de idade. Por esse motivo, é hora de homenagear este queridíssimo Amigo e Pai do projeto Telles.

Muito do que somos hoje devemos sem dúvida ao Luís, à sua forma de estar na vida e de viver a profissão.

Contudo, falar sobre o Luís não é tarefa fácil. Há tanto para dizer, para contar, para relembrar que chego a pensar que, por mais que me esforce, nunca conseguirei fazer jus ao que o Luis foi e ainda é na minha vida e na vida da Telles.

Quando penso no Luís penso em coesão, em sabedoria, em partilha, em generosidade, em gratidão, em jovialidade, em sentido de humor.

Em tempos, aquando da celebração dos seus 50 anos de profissão, dediquei-lhe umas palavras. Entre outras coisas, referi que a sua marca iria seguramente permanecer mesmo quando já cá não estivesse, por muitos motivos mas principalmente pela atenção e generosidade com que sempre geriu as suas relações com todos os que o rodeavam.

Hoje podemos constatar que eu estava certíssima. E não me refiro apenas à marca Telles ter o seu nome, refiro-me aos seus valores que continuam presentes no nosso dia a dia e vão sendo transmitidos por cada um de nós a todos aqueles que a nós se vão juntando e que não tiveram o privilégio de com ele trabalhar e conviver.

O Luís, para além de um grande Advogado, foi um grande Homem, um excelente Pai e um Amigo atento e exemplar.

Pelo Luís sinto e sentirei sempre muita saudade e uma enorme gratidão. Pela sua mão, iniciei o meu estágio na Telles. Pela sua mão recebi o convite para aqui exercer a advocacia. Pela sua mão recebi o primeiro cheque de honorários. E, pela sua mão, conheci tantas outras pessoas tão importantes na minha vida e que connosco desenvolvem hoje a Telles.

Por tudo isto, muito obrigada Luís!

Conheci o Luis Telles de Abreu há umas décadas e por coincidência nortenha o seu sogro, grande advogado no Porto e figura incontornável em todos os meios, era amigo próximo do meu Pai.

Daí que foi fácil, através de memórias paralelas, termos cultivado proximidade e amizade quando estivemos juntos no Instituto das Sociedades de Advogados durante o bastonato de José Miguel Júdice, e com mais nove colegas levámos a cabo a elaboração do novo estatuto das sociedades que foi aprovado em finais de 2004.

O Luís foi uma força dominante nesse processo, como jurista eminente, prático e consensualizador, trazendo sempre um inesquecível bom senso e pragmatismo quando era necessário unificar posições.

Foram três anos inesquecíveis de convívio entre Colegas e o Luís foi um generoso e empenhado aglutinador de amizades, acompanhando a minha iniciativa de reunirmos em várias cidades do país, onde se sedeavam todos os outros membros do Instituto, o que proporcionou um excelente ambiente de trabalho, de grande proximidade, onde o Luís sobressaía pela sua simpatia natural e pela sua elegância.

Depois seguiu-se o bastonato de Rogério Alves tendo nós ambos sido eleitos para integrar o Conselho Superior, e na mesma Secção, o que nos permitiu partilhar a função de julgar que tínhamos, com a perspectiva do advogado, que defende as várias vertentes de verdades relativas e que ao julgar tem de tomar a decisão.

Eram do Luís os Pareceres mais exemplares pela simplicidade, equilíbrio e limpidez de raciocínio.

E depois ao longo destes anos foram os inúmeros momentos de convívio, já com as nossas mulheres e amigos comuns, principalmente nas férias algarvias em noites intermináveis debaixo de céu seco e estrelado, em que partilhávamos histórias infindáveis.

Assim, tive através dele o privilégio de conhecer melhor o seu grande amigo Miguel Veiga e de nos juntarmos, também por coincidência nortenha, em casa do Mário Esteves de Oliveira, outro grande jurista, outro grande encantador, de quem fomos amigos próximos.

Também tratei com o Luís de alguns assuntos profissionais, quase sempre pelo telefone, e da conversa sacralizada saía o resultado, sem ter que se mudar uma vírgula ou voltar ao assunto.

Tinha uma independência notável de grande Senhor em todo o seu trato profissional (sempre Advogado e só Advogado), o que lhe trazia consideração e reverência dos Clientes e dos Colegas.

Acima de tudo o Luís a todos contagiava, com o seu sorriso, e sua “joie de vivre”, a sua tolerância e o seu sentido de humor.

O Luís Telles de Abreu continua vivo na memória de todos os que com ele tiveram o privilégio de conviver e deixou exemplo e marcas inesquecíveis na advocacia portuguesa.

A mim e a tantos deixou também uma irreparável saudade!

O Luís, como grande advogado que era, estava sempre pronto para ensinar os mais novos, seja com o seu lápis de carvão primorosamente afiado em punho para corrigir as peças processuais, seja com os seus profundos conhecimentos do direito, seja com uma citação de um livro que retirava da sua vasta biblioteca.

No entanto, era nos almoços e convívios fora do escritório que nos mostrava a verdadeira pessoa que era, carinhoso, generoso, culto, sabedor e muito, muito amigo.

O Luís foi para mim muito mais do que um colega de escritório, muito mais do que o sócio mais velho da Telles, muito mais do que o filho de uma grande amiga da minha avó (como fez questão de me dizer no dia em que o conheci), foi um verdadeiro AMIGO.

Com quase 40 anos de diferença entre as nossas gerações, partilhamos vitórias e derrotas judiciais, pensamentos jurídicos, momentos do dia a dia e histórias de vida.

Só quem com ele privou e teve oportunidade de o conhecer como advogado e como amigo pode perceber do que falo e da pessoa brilhante que era.
A perda prematura do Luís deixou um vazio na história da Telles e na vida de todos os que, como eu, nela cresceram e com ele tiveram o privilégio de conviver, que nunca será preenchido.

Entre muitas outras coisas, o Luís deixou-nos a coesão, esta era o seu lema e do que mais se orgulhava de ver na Telles, e essa semente que em cada um de nós plantou continua bem presente nesta sociedade, onde a união entre todos existe e subsiste diariamente, passando de geração para geração.

Tenho a certeza que se connosco ainda estivesse nos brindaria neste dia, em que completaria os seus 80 anos, com uma festa memorável, dançando até de madrugada como tanto gostava.

Um brinde ao Luís, que estará certamente a ver-nos com um sorriso rasgado e com imenso orgulho de tudo quanto construiu.

Nos 80 anos do Luís Telles de Abreu, a sociedade de advogados que o Luís pensou e criou, originariamente sob a denominação TELLES DE ABREU, DELGADO, LUCENA E ASSOCIADOS - Sociedade de Advogados, actualmente TELLES DE ABREU E ASSOCIADOS, Sociedade de Advogados, decidiu, e em hora feliz o fez, assinalar a data com a recolha de testemunhos de quantos conviveram mais de perto com o Luís Telles de Abreu.

É uma homenagem singela que honra quem a empreendeu e a que o Luís responderia ─ p’ra que estiveram com isto, valha-vos Deus!

Justa homenagem a que quiseram associar-me e em que, agradecido pela lembrança, participo de alma e coração.

O Luís e eu vivemos como Amigos durante mais de 60 anos e, por enquanto, em lugares diferentes, continuamos a viver como Amigos.

Naqueles muitos anos ─ que passaram tão depressa ─ partilhámos muitos dos melhores e muitos dos menos bons momentos com que a vida nos foi confrontando, umas vezes nos telefonemas diários que trocávamos, outras nos encontros que regularmente marcávamos e de que guardo deleitáveis recordações.

Era inevitável que ao longo de tantos anos de uma convivência assídua nos viéssemos a conhecer tão intimamente como nos conhecemos, nas nossas qualidades e nas nossas desvirtudes. E aqui residiu talvez o motivo maior da nossa longa, íntima e intensa Amizade ─ tão bem nos fomos conhecendo que falámos sempre abertamente do que nos ia acontecendo e das nossas reacções sobre os acontecimentos. Tornámo-nos indispensáveis um ao outro.

Como não havia eu de sentir, sentir e continuar a sentir a ausência física do Luís.

Compenso-a quando dou comigo a lembrar alguns dos aspectos mais impressivos da personalidade do Luís ─ o rigor que tinha para consigo e para com os outros, manifestado, por exemplo, na sua infalível pontualidade; a elevação com que exerceu a profissão e prestigiou os cargos honrosos para que foi eleito na Ordem dos Advogados; a preocupação, quase obsessiva, com a arrumação e arquivo de processos, de cartas (Celeste, tire-me duas cópias), de papéis e de tudo o que fosse de guardar; a elegância e o aprumo no estar e no ser; a memória viva de seus Pais, que tantas vezes gostava de lembrar … e quantos traços mais da sua pessoa deixou ele aos Amigos para o recordarem com saudade!

Fecho esta carta afirmando o que, por certo, não serei só eu a sabê-lo ── era na Família que constituiu que o Luís se revia e encontrava a razão maior de viver, que levou para a eternidade.

Até sempre, Luís.

Meu querido Mestre e, acima de tudo, Amigo,

No ano em que são comemorados os seus 80 anos, não posso deixar de lhe fazer uma pequena, mas muito merecida, homenagem, através de umas frases que, pensando no seu sentido, associo imediatamente a si:

Saudades da sua presença!
Saudades da sua amizade!
Saudades dos seus ensinamentos!
Saudades da forma como nos transmitia os seus valores!
Saudades da forma como demonstrava que adorava viver!
Saudades das nossas conversas!
Saudades da sua boa disposição!
Saudades do seu inigualável sentido de humor!
Saudades das suas imitações!
Saudades das suas irritações!

Enfim, uma enorme e infinita saudade da Grande pessoa que foi e que, para mim, continuará sempre a ser!!!
Um forte e amigo abraço

Marco o 110. Do outro lado atende-me, prontamente:
- O que era agora???
- Luís, é a Francisca...queria só tirar uma dúvida consigo... - pergunto a medo;
- Oh filhinha, não precisas de telefonar nem de bater à porta! Basta apareceres. Sabes que tenho sempre muito gosto em ver-te!

É disto que sinto mais falta. Deste aconchego do Luís. Deste seu altruísmo puro. Por muito ocupado que estivesse, tinha sempre tempo para os outros. Sinto falta do seu ombro amigo. Dos nossos almoços tardios no andar de cima do Porto Antigo. O Luís, sempre com uma palavra de alento. Sempre tão genuíno. Sempre tão atento. O Luís, que no alto dos seus cabelos brancos, conquistava amigos de todas as idades. De todas as gerações. De todas as nacionalidades. De todas as opiniões. E hoje, dia em que faria 80 anos, o Luís continua por aqui. A encher todos os nossos corações.

Escrever umas palavras pela comemoração dos 80 anos de um Mestre e Amigo é um orgulho e uma enorme saudade.

Por tudo o que construiu e pela forma como viveu e exerceu a advocacia, é uma referência única no Porto e grande em Portugal.

A Telles é, na sua génese, um conjunto de valores que perseguia, ensinava e impunha a todos quanto consigo trabalhavam, de rigor minucioso, qualidade intransigente e honestidade inabalável.

Ter a oportunidade de estagiar, exercer advocacia e partilhar parte da vida com o Luís Telles de Abreu foi, é e será um motivo de enorme orgulho e um privilégio, cuja dimensão só verdadeiramente conhece quem teve essa oportunidade.

Reunia características excecionais de inteligência, espirito de entreajuda e, acima de tudo, sentido de humor, único e contagiante. Sentido de humor esse que se destacava pelas, como lhes chamava, “piadas rápidas”.

Elemento agregador e sempre apaziguador de diferenças e tensões, para quem a advocacia era muito mais uma vocação e sentido de vida, do que uma profissão.

A sua partida deixa muitas saudades e um espaço que nunca foi preenchido, provavelmente porque continua a ser seu, ainda que em espírito.

Conheci o Luis Telles de Abreu no final dos anos 80 aquando de um Congresso da Ordem dos Advogados que decorreu no Porto. Depois da primeira sessão o Luis, já então grande amigo do meu Patrono, Sócio e Amigo António Serra Lopes, convidou-nos para jantar no Chanquinhas em Leça. Foi a primeira vez que lá fui. Adorei tudo mas em especial a figura do Luis, que com o seu finíssimo humor e aguda inteligência nos proporcionou uma noite memorável.

A partir daí ficou uma amizade e uma admiração para sempre. Eu era um miúdo e o Luis tratava-me como “gente grande” não fazendo distinções com os mais velhos e exigindo que o tratasse por tu (o que nunca fui capaz de fazer).

Tive ocasião de trabalhar com ele em dossiers importantes e complexos e dessa experiência ficou-me a memória de um grande Senhor (qualidade tão rara quanto preciosa) com uma grande argúcia, bom senso e imensa capacidade de previsão. Era uma pessoa serena, que não elevava a voz, por que nunca precisava de o fazer. Cuidadoso com os interesses que defendia conseguia normalmente o que queria. E só queria o que era legitimo e razoável. Assim, trabalhar com o Luis era um duplo prazer: (i) aprender com um Mestre da Advocacia, (ii) conviver com um amigo de quem sempre se aprendia mais um pouco.
Generoso como poucos (marcava um restaurante quando lhe pedia conselho aonde ir no Porto e, invariavelmente, a conta estava paga no fim) fazia-o por bem, de forma desinteressada e amiga. Só queria ser agradável e amável.

O Luis, com todas estas qualidades, e outras que o word não sabe descrever, foi um dos grandes advogados portugueses que tive o previlégio de conhecer e de quem muito aprendi. Foi um Príncipe da Advocacia e merece figurar na galeria dos notáveis desta nossa causticada profissão. Daqueles que tornam esta uma profissão honrada e que sempre a honraram.

Por isso, Caro Luis, espero que esteja onde merece, e é com muita saudade, mas também com o muito orgulho de ter sido seu amigo, que assinalamos os seus 80 anos.

Terá partido cedo de mais mas deixou cá tanto! Uma vida cheia e um exemplo que é difícil de honrar. As vidas assim valem a pena!

Obrigado por tudo Luis e até sempre.

O Luís era, numa palavra e simplesmente, Único!

Era a alma da Telles, o congregador de todos, que a todos conhecia, de que de todos sabia sempre tudo e que de todos esperava e exigia sempre o melhor!
Estava sempre presente, era amigo, companheiro atento, professor rigoroso e defensor incansável da qualidade, do rigor, dos princípios, do trabalho, da honestidade, da solidariedade e da justiça.

Mais do que um grande advogado, personificava a essência do que é ser advogado e transpirava o prazer que ser advogado lhe dava, cativando a todos com o seu saber e com as suas histórias, jurídicas e parajurídicas, evidenciando ao mesmo tempo uma qualidade de ator e encenador invejáveis!
Mas ainda mais do que isso, era simplesmente o Luís, um homem bom, amigo do seu amigo, adorável e adorado, divertido e espetacular em todos os sentidos, de quem tenho saudades imensas e que recordo todos os dias com um sorriso nos lábios e uma memória da sua voz temida e inconfundível a ecoar nos corredores da Telles!

Tenho a certeza de que os frutos do seu trabalho e do seu espírito inconfundível permanecerão para sempre impregnados na essência do que é a Telles, que espero estar à altura de poder honrar e perpetuar!

Luís, vou adorá-lo para sempre!
Luís, the One&Only

É sempre bom recordar o Luís. Faço-o com muitas saudades, um sorriso e um sentimento de privilégio. Privilégio de ter podido trabalhar de perto e de tanto aprender durante uns bons anos com o Luís. Aprendi que, no nosso mundo profissional, é preciso um conhecimento profundo do direito, muito rigor, a máxima atenção ao detalhe e uma dedicação prioritária aos Clientes, suas necessidades e suas ambições.

Aprendi também que igual dedicação se deve dar à entreajuda, à solidariedade e ao respeito, que são muito mais do que lugares comuns e fazem a diferença quando “trabalhados” com verdadeiro sentido. Com a sua forma de estar, pude retirar o sentido da joie de vivre. O Luís sabia - como poucos sabem -, que a vida é para ser bem vivida e contagiava todos os que os rodearam com essa mesma energia.

Foi uma Pessoa e um Advogado absolutamente notáveis, a quem apenas posso agradecer tudo quanto tive a sorte de poder partilhar.

Recordar o Luís Telles de Abreu nas suas diversas vertentes é muito fácil para quem com ele conviveu, pessoal e profissionalmente, pelo menos, durante 27 (intensos) anos e por haver um quase confusão entre o Luís e a TELLES.

Homenagear o Luís, aproveitando o ano em que celebraria 80 anos, é um desejo de todos aqueles que com ele partilharam o percurso profissional na TELLES e atrevo-me a incluir, ainda, todos aqueles que não tiveram o gosto de o conhecer pessoalmente, mas que, fazendo hoje parte da TELLES, partilham a sua história e os mesmos valores que o Luís tão bem nos transmitiu.

Apesar de “conhecer” o Luís, por razões familiares, desde muito novo, posso dizer que foi a partir de 1989, quando iniciei o meu estágio profissional, que o conheci verdadeiramente e me fez mudar radicalmente a ideia que dele tinha: inacessível. Pelo contrário, o Luís foi sempre uma pessoa disponível para ouvir e partilhar conhecimento, sempre pronta para ajudar sem pedir nada em troca, de uma generosidade exemplar, um verdadeiro gentleman. Aliás, o Luís sempre me surpreendeu, mesmo nos tempos mais recentes e a ele devo ter “entrado” na TELLES, como estagiário. Se não fosse esse convite, hoje seria outra pessoa. Melhor ou pior, não sei; sei que não teria os muitos amigos que fiz ao longo destes 30 anos de TELLES, designadamente o Luís, não teria vivenciado momentos importantes de construção e realização da TELLES, em conjunto com o Luís, teria perdido muitos momentos felizes (e também de angustia) que me marcaram e marcam, muitos dos quais com o Luís.

Como referi, o Luís e a TELLES confundem-se, pelo que o Luís está e estará sempre presente no nosso coração, desde as coisas mais materiais, na denominação da sociedade, na marca, no papel timbrado, na sala de reuniões com o seu nome, no seu retrato (oferecido pelos sócios quando celebrou 70 anos), como nas mais importantes, ou seja, nos valores que foram, são e serão o pilar da TELLES e que não nos cansamos de repetir e de os transmitir aos mais novos.
Não vou enumerar os valores que defendia (e defendemos), intransigentemente e sem reservas, pois outros colegas da TELLES o farão, mas relembro um, menos falado (e cuidado) hoje, a deontologia e o trato irrepreensível com os Colegas.

Querido Luís, muito obrigado por, pelas suas características invulgares, ter contribuído, ativa e profundamente, para o que somos hoje.
Bem haja e até sempre!

O Luís era, por escolha própria, Advogado e só Advogado.

Quando decidi candidatar-me à Ordem, recusou o cargo que lhe sugeri, apenas aceitando integrar o meu Conselho Geral, isto é, ser Advogado da Bastonária.

E isso foi-o na perfeição!

Para mim, falar do Luís, torna-se um exigente desafio emocional.

Tinha e tenho uma amizade e admiração profunda pelo Sr. Dr. Luís Manuel de Carvalho Telles de Abreu.

Cartesiano, metódico, esteta, perfecionista, comunicativo e de um humor único e desconcertante, era dotado de uma inteligência racional elevadíssima e de uma fulgurante inteligência emocional, rápido e espontâneo, mas corredor de fundo quando necessário, exímio jurista e um notável negociador, autêntica personificação do chamado “Getting to Yes” como é ensinado no programa de negociação da Universidade de Harvard.

Acresce que, a grande sensibilidade do Luís permitia-lhe acionar, melhor do que ninguém, esse grande motor do desenvolvimento da Sociedade e da Cultura, que permite a transferência de informação sem necessidade de herança genética, que é a imitação.

Esta caraterística do Luís traduzia o seu enorme poder de observação da realidade e perspicácia, essencial num Advogado.

O Luís representa também a exceção (que confirma a regra) e - em contraciclo da literatura jurídica Norte-Americana, que tem abandonado a expressão Grande Advogado para a substituir por Advogado de Sucesso - mostrou-nos como é ser um Grande Advogado e um Advogado de Sucesso.

A Telles de Abreu é já hoje pertença do chamado Magic Circle das grandes sociedades de advogados do país, e o nome Telles um selo incontornável da Boa Advocacia no panorama jurídico Português – um autêntico Porto Coroa da nossa Contrastaria Jurídica.

Mas como Grande Advogado e Advogado de Sucesso, o Luís também nos ensinou como ser um Homem Bom, de grande generosidade em relação aos vindouros e à posteridade que, no fundo, consistiu em dar tudo, como ele deu, a tudo e todos, com uma vida inteira dedicada à profissão, à Ordem dos Advogados e, essencialmente, à Família que construiu e, mais do que isso, soube unir como ninguém.

Além do mais, e apesar do sucesso, o Luís nunca se deslumbrou com ele e era um Homem simples, que cultivava a discrição, o que o tornava muito distante do jogo de ambições e competição que tantas vezes surge entre profissionais.

Enfim, o Luís foi pelas suas qualidades intrínsecas e endógenas um Grande Homem, mas o seu Ecossistema, se me permitem a expressão, foi, de igual modo, muito importante para o seu sucesso.

A começar pela Beluca, sua belíssima e inteligente Mulher, Grande Senhora, não atrás, mas ao lado de um Grande Homem, o Luís, que pouco tempo depois do Luís nos ter deixado fisicamente me dirigiu um texto, no meu aniversário, com uma frase que o Luís dizia a meu respeito.

Foi o melhor persente de anos que tive …

Este ecossistema constituído essencialmente pela Beluca, mas não só, também pelos Pais do Luís, Sogros - a Tia Alda e o inesquecível Sr. Dr. Artur Santos Silva - Cunhadas, Cunhados, Sobrinhos e demais, sem esquecer todos os Colegas e Colaboradores do Escritório e o Forte e Unido Círculo de Amigos que sempre acompanharam a Beluca e o Luís, teve inúmeros e bons fatores de aceleração, como as três fantásticas filhas, a Isabel, a Marta e a Joana, sua continuadora Advogada e sócia da Telles, os genros, um deles, o Miguel, também Advogado e sócio da Telles e, seguidamente, os netos, com dois deles já advogados a trabalharem na Telles, o Martim e o João Pedro.

Muitos Parabéns, Luís, neste dia 10 de junho de 2020!

Recordações e episódios?
Tenho muitos, cada qual o melhor.

Ao longo dos 34 anos que trabalhamos juntos, “colegas de trabalho”, vivemos muitos momentos, Felizes e menos Felizes, mas a Vida tem destas coisas.
São muitos os adjetivos que o podiam descrever, por isso com o nome dele escolhi alguns que o definiam como a Pessoa que era:

                Lutador
                Único
                Inteligente
                Sábio

                Teimoso
                Engraçado
                Leal
                Legítimo
                Elegante
                Sonhador

                Divertido
                Esperto

                Amigo
                Bondoso
                Refilão
                Especial
                Ultra honesto

Recordo com saudades, mas sempre presente, as suas gargalhadas, os sorrisos de critica muitas vezes expressas no rosto e a frase que estava sempre a repetir “A Vida e o Destino têm-me tratado bem”

Saudades

Meu caro Luís, que bom recordar-te e saber que, estejas onde estiveres – com certeza no olimpo dos deuses –, farás no próximo dia 10 deste mês de junho e deste ano de 2020 oitenta anos. São oitenta anos que existem na memória de todos que te conheceram – mesmo aqueles que, como eu, infelizmente, conheci-te bem mais tarde.

Recordo com a clareza de um documentário, direi de fotograma em fotograma, o dia que te telefonei a perguntar se podia falar contigo: Boa tarde Sr Dr Luís Telles de Abreu, aqui fala o colega Guilherme Figueiredo. Gostaria de falar consigo sobre a minha potencial candidatura a Presidente do Conselho Distrital do Porto. – Olá, como está? Amanhã quer almoçar comigo no 60/70? – Claro que sim, por mim fica combinado. – Muito bem, então. Até amanhã.

No dia seguinte, fui com um colega e amigo comum. Chegados ao 60/70 que se situava perto do escritório que, na altura, a sociedade Telles de Abreu ocupava, fui recebido por um sorriso largo e um aperto de mãos firme e afectuoso.

Caro Guilherme Figueiredo não precisa de me pedir nada, nem justificar nada, digo-lhe, desde já, que tratando-se de uma candidatura sua a Presidente do Conselho Distrital do Porto tem o meu total apoio! O espanto, se não mesmo o embaraço, emergiu no meu rosto, de tal forma que, de imediato me disse: Esta feito e agora vamos escolher e conversar.

Fomo-nos encontrando em vários locais e eventos e fomos firmando uma amizade recíproca que permitiu confidências. O Luís tinha um grande sentido de humor, fino e subtil humor que habitava no seu sorriso que se abria primeiro no olhar, iluminando-o.
Meu caro Luís a tua frontalidade era impressionante, como uma assinatura colada ao corpo de quem se sente livre de pensar e dizer o que entende e deseja, sem prévio recado, e, simultaneamente, de forma educada, direi, pensando numa cena que testemunhei, com elevação.

O Luís era um contador de histórias, da profissão, dos logradouros da profissão e das relações sociais. De vez em quando eu passava pelo seu escritório, e aí me demorava a conversar sobre as coisas mundanas ou sérias. Por vezes, tínhamos que aguardar que a Joaninha, sua filha, nos deixasse a sós, para a conversa penetrar em liames que ele entendia não haver necessidade de alargar a uma jovem advogada que ele tratava com o coração.
Mas o Luís tinha um grande saber técnico-jurídico, designadamente na área societária, e tentava sempre uma solução consensual que permitisse que não se deitasse fora o dinheiro em litígios que o tempo devora. Era um cultor das relações éticas-deontológicas quer com os Colegas quer com os clientes.

No dia 24 de maio de 2012 foi editado um livro que me foi dedicado e o Luís escreveu um depoimento com a generosidade de um amigo intimo. Foi essa intimidade que a generosidade destacava que mais me sensibilizou.

Meu caro Luís, reconheço-te essa capacidade, de uma humanidade singular, de construíres e de reconstruires, através de diversos recursos, o questionamento quotidiano a partir de uma dinâmica propulsionada pela defesa da liberdade, numa crença interiorizada e balizada por uma argamassa axiológica, menos ideológica, quiçá não consciente da defesa da igualdade de oportunidades que várias atitudes iluminava e que eu apreendi nesse olhar os direitos não como um mantra desresponsabilizador, o artifício retórico banalizado, mas antes como o modo fundamental da axiológica contemporânea, centrada na pessoa enquanto ser de relação, que existe em situação, e, portanto, livre mas integrado, comunitariamente empenhado para o bem da res publica.

Assim foste, assim és e na minha memória fraterna assim continuarás a ser, neste abraço que te deixo através da tua Isabel.

A melhor maneira de homenagear o Luís é tentar seguir-lhe o exemplo e recordar como ele foi exemplo para nós, principalmente pela conduta.

Quando me interpelo sobre um episódio com o Luís que me tenha marcado, lembro-me logo de um em especial, passado no âmbito mais profissional, mas revelador da grandeza de carácter que tinha na profissão e na relação com os colegas, nomeadamente os mais novos.

Por razões que não me recordo, era eu novo, “herdei” um inventário judicial que não atava, nem desatava, em que os clientes aparentemente não ligavam nada ao assunto há anos.

Os clientes eram do Luís e eu tinha na altura um outro assunto a correr com o advogado dos outros interessados e pensei fazer uma diligência junto deste no sentido de ver se era possível chegar a um acordo.

Contactei os clientes, expus a minha ideia do que poderia ser a proposta e eles aceitaram, aceitando mesmo um pouco menos do que eu havia proposto. Contactado o outro advogado, este aceitou a proposta mais ou menos nos termos por mim apresentados e, em qualquer caso, dentro das balizas dadas pelos clientes.

Quando lhes transmiti a aceitação do acordo disseram-me que, afinal, não estavam interessados no acordo e eu dispus-me a fazer com eles uma reunião para esclarecer as dúvidas que tivessem. Nessa reunião, os clientes apareceram muitos antipáticos, a dizer que eu tinha feito um acordo para o qual não estava autorizado, que nem sabiam porque estava eu a tratar do assunto porque o advogado deles era o Luís e, em crescendo, chegaram ao insulto.

Nesse momento levantei-me e disse-lhes que a reunião tinha acabado, que tinham de sair e pu-los na rua, ao que retorquiam que eram amigos do Luís e muitos clientes importantes do escritório, que isto não ia ficar assim, que não admitiam, etc., etc.

Ainda a tremer, fui direto ao gabinete do Luís e contei-lhe o sucedido ao que ele de imediato me disse: “Fizeste muito bem, filho. Nem eu esperava outra coisa de um advogado deste escritório”.

E aquele cliente não mais entrou na Telles.

O que este episódio significa em termos de apoio e de solidariedade com os colegas mais novos e de retidão no exercício da profissão é muito do que eu espero um dia saber dar também aos nossos colegas mais novos para que sintam, como eu senti, que a Telles os apoia nos momentos delicados e em que precisamos que nos mostrem por onde é o caminho.

Obrigado Luís por ter estado sempre ao nosso lado.

O Luís faz muita falta.

O Luís faz muita falta porque era mágico. Tinha uma personalidade cativante, um sentido de humor único, uma generosidade invulgar.

O Luís faz muita falta porque era bondoso, sempre uma palavra amiga para dizer, um apoio incondicional em todos os momentos.

O Luís faz muita falta porque era um homem de família, porque era o homem da família, porque a Beluca, as filhas, os genros e os netos eram o seu encantamento.

O Luís faz muita falta porque era um advogado de excelência e uma excelência de advogado. Um Mestre no direito e na arte de advogar. Uma referência na advocacia nacional.

O Luís faz muita falta porque foi o meu patrono, que muito me ensinou nesta difícil arte e que sempre me lembrou os valores éticos e morais que regem a nossa profissão e que têm que estar acima de tudo, em todos os momentos.

O Luís faz muito falta simplesmente porque era uma excelente companhia. “Enchia uma sala”, sempre com uma história ou estória para contar, que provocava a delícia dos que com ele tiveram a sorte de privar.

Que falta faz o Luís!

Inteligência, Perspicácia, Sabedoria, Humor, Organização “extrema”, Amigo, são inúmeras as palavras que me ocorrem quando penso no Dr. Luís Telles de Abreu.

Raro é o dia em que não o recorde, com saudade. Sinto um enorme orgulho por com ele ter trabalhado, por tudo quanto aprendi ao seu lado, quer profissionalmente, quer como ser humano.

Hoje, no dia em que completaria 80 anos, não posso deixar de prestar a minha humilde homenagem ao Luís, pelo advogado e pessoa que foi e pelo que representa na história da TELLES.

Do Luís guardo a sua sabedoria, o seu profissionalismo, rigor, bondade, espírito jovem, sentido de humor, as suas histórias e tão emblemáticas frases que ainda hoje são repetidas, dos mais velhos aos mais novos. Guardo a confiança que depositou em mim e todas as oportunidades que me deu de aprender consigo, pelas quais ficarei sempre agradecida.

Caro Dr. Luís,

Se estivesse entre nós, estaria a preparar-se para comemorar os seus 80 anos de vida. Teria, certamente, de ser uma festa pequena, face a esta situação que vivemos, o que não seria do seu agrado.

Vivemos um tempo difícil, fora da normalidade do nosso dia a dia, o que nos leva a pensar e reconsiderar tudo o que vivemos e da forma como o vivemos. E, neste recordar da minha vida, fez-me lembrar que nos conhecemos há quarenta anos, mais precisamente no ano de 1980, quando eu comecei a trabalhar, no Contencioso, do já desaparecido Banco Pinto & Sotto Mayor, onde o Dr. já prestava serviços, como advogado avençado.

Nessa altura, o nosso local de trabalho era no Passeio das Cardosas, no extremo mais próximo da Igreja dos Congregados. Alguns anos depois deram-nos umas novas instalações na Rua Gonçalo Cristovão. Os gabinetes dos advogados e o Contencioso eram no rés do chão, e eram divisões pequenas, separados uns dos outros por placas de madeira, com uma espessura mínima. Ninguém gostava das instalações, mas todos as aceitaram sem reclamações, muito menos dos advogados avençados que só iam ao Banco uma vez por semana.

Não foi, porém, o que aconteceu consigo. Eu estava no gabinete do Dr. Vellozo Ferreira para assinar uma petição quando ouvimos uma voz muito zangada:

“Mas que m…. é esta? Isto são gabinetes? Mais parecem quartos de p….”. O Dr. Vellozo Ferreira saiu do gabinete a dizer:
- “Ó Luís, fala baixo e não digas asneiras, a Maria Adelaide está aqui no meu gabinete.
- E então ela nunca ouviu dizer palavrões? Não te preocupes que ela já me conhece e sabe como eu sou, mas se tu, como director do Contencioso, não tivesses aceite esta porcaria de gabinetes, e tivesses exigido uns gabinetes em condições, eu não estaria tão zangado! Manda-me o Serviço ao escritório que só volto quando tiver gabinete.”

Virou as costas, foi cumprimentar toda a gente sempre com um sorriso (já tinha passado a zanga), e com uma palavra para cada um, como era seu hábito. Só alguns meses depois, já com gabinetes dignos no 2º andar, voltou ao Banco. Julgo que foi por si que nos deram melhores instalações. Foi o único que teve coragem de dizer o que todos pensávamos.

Uns anos mais tarde tirei o curso de solicitadora e foi, para si, que eu fiz o meu primeiro trabalho. Confesso-lhe que, quando foi ao Banco procurar o Augusto Monteiro, Solicitador, porque o Artur estava de férias e precisava de umas buscas na Conservatória, e eu me ofereci para fazer o trabalho, o fiz a medo. Tinha acabado o curso há dois meses, e não tinha prática nenhuma. Disse-me que precisava das informações num prazo de 8 dias. Correu bem e, dois dias depois, entreguei-lhe o que me tinha pedido. Perguntou se, de futuro, me poderia pedir outros serviços. Era o inicio da minha carreira como Solicitadora.
Não sei se, ao longo dos anos em que trabalhámos juntos, lhe consegui fazer sentir o quanto estava reconhecida por ter confiado em mim e me ter aberto portas para que eu fosse a solicitadora que sou hoje. Foi um orgulho trabalhar e aprender consigo.

Deixo-lhe aqui o meu eterno agradecimento.

Ilustríssimo Senhor Dr. Luís Telles de Abreu

Aos três de setembro do ano da graça de dois mil e oito, digo: Eu sei que da Rua da Restauração se vê o rio e um Porto que Teixeira Gomes, maravilhado, chamava uma espécie de cascata como outra não conhecia ao longo do Mediterrâneo. Eu sei isso, e sei também que este pequeno recanto onde descansa o busto daquele a quem chamam por antonomásia O Bombeiro, agora sempre ao Sol, porque um presidente da Câmara lhe roubou as árvores que lhe davam frescura no verão e o defendiam dos frios do inverno, - eu sei, dizia, que deste pobre recanto não chegam notícias a essa varanda privilegiada sobre o Douro. E o pobre e mesquinho signatário das regras, que por aqui estabeleceu poleiro há umas décadas, lá vai procurando como pode espairecer as saudades com que o mortificam e atenazam os senhores de pendão e caldeira da Restauração, da Avenida Brasil e Loivo, e de Neiva. Ele, o signatário, mísero plebeu, escarafuncha os arcanos da memória à procura das razões da excomunhão e só encontra, devoto que é de Maria e José, coisas pequeninas, talvez ou outra falta de respeito pelo Senhor Governo, mas nada mais grave do que isso. Resta-lhe assim ir arejar o seu spleen para os lados de Leça-sur-mer…mas não sem antes deixar aqui os protestos de uma respeitosa, e muito veneradora, e obrigada estima.

Súbdito leal, a bem da Nação.

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